
O Susto no Espelho
O espelho é fácil de manipular. Aprendem-se os bons ângulos, olha-se depressa, convence-se a si próprio de que não está assim tão mau. Mas depois chega o choque de se ver de longe — numa fotografia, num reflexo para o qual não se estava preparado, ou no meu caso, numa câmara de segurança. Daquele ângulo parece que se está a ver um estranho num videojogo ou num filme, e a negação desaparece. O tamanho, a forma de se mover, o peso na postura — é inegável.
Aquele momento foi uma das motivações mais fortes que já senti. Não era algo em direcção ao qual eu queria avançar; era algo do qual queria afastar-me. Durante semanas evitei até olhar para essas câmaras porque me punham de mau humor. Mas mais tarde, depois de perder peso, as mesmas câmaras tornaram-se uma fonte de alegria. Via-me a passar, mais magro, mais leve, e pensava: quem é aquele? No início parece uma punição, depois torna-se uma recompensa. O espelho e a câmara deixam de ser inimigos e tornam-se aliados que confirmam que mudámos.
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Por vezes quer-se chegar a algum lugar e fazer as pessoas reparar. Talvez seja um ex que pensava que nunca nos iríamos organizar, colegas que assistiram à nossa luta, ou familiares que fizeram comentários. Não há nada de errado em querer provar algo — a eles e a nós próprios. A motivação do "vou mostrar-lhes" pode ser um combustível incrivelmente poderoso, ajudando a superar os momentos difíceis em que a força de vontade sozinha não chega.

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